A história inicia-se por volta de 94/95.
Por responsabilidade de um amigo que vivia em Coimbra e trazia discos de Londres e Berlim, e de um de nós, que os fazia circular pelo resto da “turma”, descobrimos o Dub e o Reggae. (obrigado, Rui)
Começámos, depois, a experimentar a combinação dos efeitos psicotrópicos obtidos pelo consumo de “ervas medicinais” com os efeitos psicotrópicos resultantes da audição dos dub masters Lee Perry e King Tubby e da geração de 80 e 90 do UK Dub (Mad Professor, Zion Train, Adrian Sherwood, Disciples).
O diagnóstico foi suficientemente “grave” (culpa do “bass”) para que cada um juntasse uns trocos, comprasse "pratos", "mixers" e os primeiros vinis. Outros optaram pela produção, com samplers, teclados e instrumentos.
Pelo meio, iam-se gravando e trocando “tapes” para conhecer as últimas malhas.
Sem nos limitarmos ao que já gostávamos, nem aos clássicos que fomos conhecendo, procurámos saber mais sobre "isto, aquilo e o outro"...
Descobrimos a “soundsystem culture”, nascida na Jamaica, nos anos 50, instalada em Inglaterra desde os anos 70 e finalmente a despertar na restante Europa, nos 90’s.
Concertos de Reggae em Lisboa, por volta de 96/97, de memória, só Kussondulola e One Love Family.
Soundsystems? Fankambareggae… no Johnny Guitar ou no Ritz… alguém se lembra?
Os horizontes alargaram-se à medida que viajámos pela Europa (de comboio, com os célebres Inter-Rail's) e fomos assistindo a concertos e festivais com bandas e artistas consagrados do Ska, Roots e Dub passado/presente/futuro (Burning Spear, Culture, Ethiopians, Skatalites, Laurel Aitken, Mystic Revelation of Rastafari, Lee Perry, Mad Professor, Macka B, Scientist, U Brown, Earl 16, Johnny Clarke, Jah Shaka, Disciples, Zion Train, Iration Steppas, Dreadzone, e muitos, muitos mais…)
Hamburgo, Frankfurt, Berlim, Copenhaga, Colónia, Amesterdão, Londres, Paris, Barcelona, San Sebastian… e Kingston… foram algumas das cidades por onde passámos e aproveitámos para ver concertos, mas também para percorrer lojas de vinis e encher malas e sacos com raridades e novidades de Roots, Ska, Dancehall, Dub, Ragga, Jungle.
Antes disso, em 95/96, conhecemos a pessoa que geria “musicalmente” um bar no Cacém, o “DNA”.
Foi lá que começámos a ganhar o gosto por mostrar os nossos discos, por fazer tremer paredes com os abusos no “bass”, e de pôr a bófia a tocar à porta do "estaminé" e a querer fechá-lo por causa dos vizinhos...
20 a 30 amigos, iam connosco de Lisboa… pró Cacém… (caravana nocturna no IC 19…). Durante mais de 2 anos, entre noites regulares e outras “irregulares”, devemos ter feito por lá, ao todo, umas 40 a 50 "sessões".
(obrigado, Fernando… obrigado, Diogo...)
Depois da Linha de Sintra, o Bairro Alto, há muito a nossa segunda casa, passou a ser também o nosso segundo terreno para experiências sonoras em público…
Fizemos o circuito das “capelinhas” do Bairro Alto e arredores (Mexe-Bar, Op Art, Lounge, etc), subimos ao palco do Hard Club, em Gaia, e actuámos perante duas mil pessoas, numa festa anual das comunidades africanas, organizada, em Lisboa, pela RDP-África.
Ainda no Verão passado, um dos nossos “masters” agitou centenas de almas num Festival de Reggae em Ribeira d’Ilhas.
Falta dizer que, apesar de nos conhecermos há mais de 10 anos, o nome Unity Sound Crew surgiu apenas em 2001.
No ano seguinte organizámos 3 espectáculos com 4 soundsystems ingleses. The Rootsman (na Caixa Económica Operária), Jah Free e Vibronics (no Op Art) e Zion Train (no Teatro “Comuna”).
Depois de 3 anos parados em termos de produção de espectáculos, juntámos agora o que nos faltou então, para podermos continuar a fazê-lo.
No próximo dia 18 de Fevereiro, voltamos à acção... no Mercado da Ribeira, Lisboa.
Com muitas coisas boas para partilhar.
E com a ajuda de Toni, da radiofazuma.com ("música enrolada" com o corpo e a alma)
Peace